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5 coisas que mudaram no Fluminense e talvez você não tenha notado

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De novas referências dentro de campo a mudanças no comportamento da equipe, Tricolor apresenta sinais diferentes na reta decisiva da temporada

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Nem toda mudança no futebol aparece em uma contratação ou em uma alteração na escalação. Algumas estão nos detalhes: um jogador que passa a participar mais dos gols, um reserva que ganha espaço, uma característica que começa a aparecer com frequência ou até mesmo uma mudança no comportamento coletivo.

No Fluminense, alguns desses sinais ficaram mais evidentes nas últimas partidas.

A chegada de Marcão aconteceu em um momento de pressão, mas a equipe respondeu rapidamente. Desde o início dessa nova fase, o Tricolor venceu Palmeiras e Remo, empatou com o Independiente Rivadavia e avançou nos pênaltis na Libertadores, além de empatar com o Athletico-PR por 3 a 3.

O resultado em Curitiba deixou o Fluminense com 42 pontos e dentro do G-4 do Brasileirão. Mais importante do que a posição, porém, são algumas mudanças que começaram a aparecer no funcionamento da equipe.

1. Hulk virou uma das principais armas ofensivas e os números mostram isso

Hulk é provavelmente o exemplo mais evidente da transformação recente.

O atacante teve um período inicial de adaptação ao Fluminense, mas encontrou um momento de protagonismo justamente na sequência comandada por Marcão. Nos quatro jogos sob o comando do treinador, Hulk marcou três gols e deu uma assistência, registrando participação direta em gol em todas as partidas.

A sequência inclui gols contra Palmeiras, Remo e Athletico-PR. Em Curitiba, além de marcar o primeiro gol do Fluminense em cobrança de falta, Hulk foi responsável pela assistência para Ignácio marcar o terceiro gol tricolor.

O momento é ainda mais significativo quando comparado ao período anterior. Nas sete partidas que disputou sob o comando de Zubeldía, Hulk havia registrado um gol e uma assistência. Com Marcão, em apenas quatro jogos, já são três gols e uma assistência. A mudança não está apenas na estatística, Hulk passou a participar mais das jogadas decisivas e se tornou uma referência para um ataque que também encontrou na bola aérea uma importante fonte de gols.

Contra o Palmeiras, Hulk e Cano marcaram de cabeça. Diante do Remo, novamente Hulk e Kevin Serna balançaram as redes em jogadas pelo alto. E, contra o Athletico, o atacante abriu o placar em cobrança de falta antes de servir Ignácio para a virada. O Fluminense encontrou, portanto, uma arma que combina experiência, força física e capacidade de decisão.

2. Ignácio ganhou protagonismo na defesa e virou ameaça também no ataque

O zagueiro ganhou sequência em meio aos problemas físicos no setor e aproveitou os minutos recebidos. Mesmo quando Thiago Silva esteve disponível, o defensor continuou sendo utilizado.

Contra o Athletico-PR, por exemplo, Thiago ficou fora, mas Marcão manteve Ignácio entre os titulares e foi justamente nessa partida que o defensor voltou a ser decisivo. Aos 32 minutos do segundo tempo, Hulk cobrou falta e Ignácio subiu sozinho para marcar de cabeça e colocar o Fluminense na frente por 3 a 2. O gol também reforçou uma característica que vem ganhando força.

Desde a retomada após a pausa para a Copa do Mundo, Ignácio marcou três vezes, contra Bragantino, Botafogo e Athletico-PR. Com isso, tornou-se o vice-artilheiro do Fluminense no período, atrás apenas de Hulk, que soma quatro gols. Kevin Serna também tem três.

A bola aérea virou um dos principais caminhos, dos 29 gols sofridos pelo Fluminense no Brasileirão até a vitória sobre o Remo, 16 haviam saído de bolas alçadas na área, o equivalente a aproximadamente 55%. Ao mesmo tempo, cinco dos seis gols anteriores do Tricolor haviam surgido de jogadas pelo alto. É justamente nesse contexto que Ignácio ganha importância.

O zagueiro vem mostrando presença no jogo aéreo defensivo, mas também se tornou uma ameaça nas bolas paradas ofensivas. A ausência de Thiago Silva em algumas partidas, portanto, abriu espaço para Ignácio mostrar que pode ser mais do que uma alternativa. Ele passou a disputar espaço por rendimento.

3. Com a oscilação de Lucho, Ganso recupera o controle do meio-campo

Outra mudança passa pelo setor responsável por organizar o jogo. Lucho Acosta continua sendo uma peça importante do elenco, mas a oscilação do argentino abriu espaço para Paulo Henrique Ganso recuperar protagonismo e Marcão deixou claro que enxerga no camisa 10 uma característica específica para determinadas partidas: controle do ritmo e capacidade de organização.

Foi assim contra o Palmeiras. Ganso voltou a ser titular justamente em um jogo no qual o Fluminense precisava controlar as transições do líder do Brasileirão. Marcão apostou na experiência e na capacidade do meia de “ditar” o ritmo da partida. Contra o Remo, Ganso teve uma atuação ainda mais significativa.

O camisa 10 permaneceu em campo durante os 90 minutos e registrou 101 ações, com 77 passes certos em 87 tentativas, além de três passes decisivos e uma finalização no alvo, mas os números de passe contam apenas parte da história, Ganso oferece ao Fluminense uma característica diferente de Lucho: aproximação para receber, leitura das jogadas, capacidade de encontrar passes entre as linhas e, principalmente, controle do ritmo quando a equipe precisa respirar com a bola.

Na vitória sobre o Remo, ele participou diretamente da construção dos dois gols. No primeiro, encontrou Hulk em boa condição para iniciar a jogada; no segundo, participou da construção que terminou com Kevin Serna. O próprio Fluminense registrou o passe de Ganso para Soteldo na jogada do gol de Hulk e a participação na construção do segundo. Contra o Athletico, Ganso voltou a começar jogando, mas foi substituído por Lucho aos 14 minutos do segundo tempo.

A questão, portanto, não é simplesmente escolher entre Ganso e Lucho, são características diferentes. Lucho oferece mais mobilidade, condução e intensidade. Ganso oferece leitura, pausa e capacidade de controlar a partida através do passe. E o Fluminense voltou a ter no camisa 10 uma alternativa real para organizar o time.

4. Xerém volta a ser sombra para o time titular

O movimento da base também merece atenção. Xerém voltou a aparecer mais próximo do elenco profissional, especialmente em um momento no qual o calendário começa a exigir cada vez mais do grupo.

No primeiro treinamento após a efetivação de Marcão, sete jogadores do Sub-20 foram chamados para completar a atividade com os profissionais. Wesley Natã e Keven Samuel, que já pertenciam ao grupo principal, também participaram. A lista contou com Tibúrcio, Gorgulho, Peter, Ruan Sales, Paulinho, Naarã Lucas e Madiba.

O movimento não significa que Marcão tenha simplesmente “descoberto” a base. Jogadores de Xerém já vinham participando dos treinamentos do profissional, a diferença está no momento, com Brasileirão e Libertadores pela frente, a presença de jovens treinando ao lado dos profissionais aumenta a concorrência e cria alternativas para situações de lesão, suspensão ou desgaste. E alguns já tiveram oportunidades, Júlio Fidélis e Riquelme Felipe, por exemplo, apareceram na equipe que venceu o Remo por 2 a 1.

Xerém, portanto, volta a funcionar como uma espécie de sombra para os titulares. Não necessariamente para substituir imediatamente os jogadores mais experientes, mas para mostrar que existe uma fila de atletas esperando uma oportunidade. Em uma temporada longa, isso pode se transformar em um diferencial.

5. Mudança de astral: Marcão consegue trazer vigor ao time

Existe uma mudança que nenhum número consegue explicar completamente: o ambiente. Marcão assumiu o Fluminense depois de uma sequência de oito partidas sem vitória. Pouco tempo depois, o time conseguiu vencer o líder Palmeiras, virar sobre o Remo e eliminar o Independiente Rivadavia nos pênaltis para avançar às quartas de final da Libertadores. Contra o Athletico-PR, o Tricolor voltou a mostrar capacidade de reação, saiu atrás, buscou o empate com Hulk, sofreu novamente, empatou com Canobbio e chegou à virada com Ignácio.

O empate sofrido nos acréscimos impediu uma vitória importante fora de casa, mas não apagou a capacidade de reação demonstrada durante a partida. Depois do jogo, Marcão destacou justamente o comportamento da equipe. Segundo o treinador, mesmo saindo atrás novamente, o Fluminense não perdeu a organização e conseguiu reagir.

É aí que entra o chamado “vigor”, não se trata apenas de correr mais, o Fluminense parece ter recuperado disposição para competir, pressionar e responder quando a partida fica adversa. A mudança de ambiente também aparece na competição interna: jogadores que estavam em segundo plano ganharam espaço, nomes experientes recuperaram protagonismo e jovens voltaram a se aproximar do grupo principal. O resultado é um elenco que parece mais mobilizado.

O que essas cinco mudanças mostram?

O Fluminense não precisou mudar completamente sua identidade para apresentar respostas diferentes.Algumas peças simplesmente passaram a entregar mais.

Hulk ganhou protagonismo. Ignácio transformou oportunidade em espaço e virou arma nas bolas aéreas. Ganso recuperou a capacidade de organizar o meio quando Lucho oscilou. Xerém voltou a pressionar por espaço. E Marcão conseguiu devolver vigor e confiança a um elenco que vinha sob pressão.

Os números ajudam a contar essa história. São quatro participações diretas em gols de Hulk em quatro jogos, três gols de Ignácio desde a retomada após a Copa, uma atuação de Ganso contra o Remo com 77 passes certos em 87 tentativas e uma equipe que chegou a 42 pontos e permanece no G-4 do Brasileirão após 25 rodadas.

Ainda existem problemas para corrigir, mas o cenário é diferente. O Fluminense chega à reta decisiva da temporada com mais jogadores pedindo passagem, mais alternativas para mudar o funcionamento da equipe e, principalmente, um ambiente que voltou a transmitir confiança.

Talvez essa seja a principal mudança que o torcedor não tenha percebido: o Fluminense não ficou apenas mais competitivo. Ele passou a ter mais caminhos para encontrar a vitória.

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