Foto: Lucas Merçon / Fluminense

Marcão ganhou força: é hora de apostar no interino ou buscar outro treinador?

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Vitória sobre o Palmeiras mudou o ambiente no Fluminense e abriu uma discussão sobre quem deve comandar o time na sequência de 2026

Marcão, novo técnico do Fluminense / Foto: Lucas Merçon/Fluminense/Divulgação

A vitória por 3 a 2 sobre o Palmeiras, no último sábado (15), mudou o ambiente no Fluminense. Depois de oito partidas sem vencer, o Tricolor reagiu justamente no primeiro compromisso sob o comando de Marcão, que assumiu a equipe interinamente após a saída de Luis Zubeldía.

O resultado recolocou uma discussão que costuma aparecer sempre que Marcão assume o time: seria o momento de dar uma oportunidade mais longa ao profissional ou o Fluminense precisa buscar um novo treinador para a sequência da temporada?

A resposta não é simples. De um lado, estão a identificação de Marcão com o clube, o conhecimento do elenco e o impacto imediato da mudança. Do outro, aparecem as exigências de um calendário que reúne Campeonato Brasileiro e Libertadores, além da necessidade de definir um projeto esportivo de longo prazo.

Os argumentos a favor de Marcão

Marcão conhece o Fluminense como poucos profissionais. Ídolo do clube como jogador, ele faz parte da comissão técnica permanente e já assumiu a equipe em outras oportunidades. Esse conhecimento pode ser um diferencial especialmente em um momento de pressão.

Ao contrário de um treinador que chegaria agora e precisaria conhecer o elenco, os funcionários e a rotina do clube, Marcão já possui uma relação construída internamente. Ele também conhece as características dos jogadores e pode fazer mudanças sem precisar de um longo período de adaptação.

O primeiro resultado à frente da equipe também pesa a favor da continuidade. Contra o Palmeiras, o Fluminense conseguiu uma virada nos minutos finais e encerrou um jejum de oito partidas sem vitória. Marcão classificou a atuação como uma demonstração de coragem do grupo.

Além do resultado, o discurso dos jogadores após a partida chamou atenção. Guga falou em uma mudança de energia no ambiente, enquanto Hulk destacou a recuperação da confiança do elenco com a chegada de Marcão.

Outro ponto importante é a identificação com a torcida. Marcão possui uma história construída dentro do Fluminense e conhece a dimensão da relação entre clube e arquibancadas. Em momentos de instabilidade, essa conexão pode ajudar a recuperar a confiança.

Mas uma vitória é suficiente para mudar o planejamento?

É justamente aí que surge o outro lado da discussão.

Marcão tem experiência como auxiliar e já comandou o Fluminense em diferentes momentos, mas assumir definitivamente uma equipe que disputa simultaneamente competições de alto nível é uma responsabilidade diferente.

O calendário também pesa. O Tricolor precisa conciliar o Campeonato Brasileiro com uma decisão pela Libertadores. Nesta terça-feira (18), a equipe enfrenta o Independiente Rivadavia, em Mendoza, pelo jogo de volta das oitavas de final. Após o empate sem gols no Maracanã, quem vencer avança às quartas; um novo empate leva a decisão para os pênaltis. Nesse cenário, a diretoria precisa pensar não apenas no próximo jogo, mas no restante da temporada.

A escolha de um treinador envolve mais do que resultados imediatos. É necessário avaliar modelo de jogo, desenvolvimento dos jogadores, planejamento do elenco, integração com a base e capacidade de lidar com um calendário extenso.

O momento também exige cautela

A demissão de Zubeldía aconteceu justamente em um momento delicado da temporada. O argentino deixou o cargo após o empate com o Independiente Rivadavia e antes da partida decisiva na Argentina. No período em que esteve no comando, acumulou 30 vitórias, 18 empates e 13 derrotas em 61 partidas, com aproveitamento de 59%. Por isso, uma nova mudança precisa ser analisada com cuidado.

Contratar um treinador apenas para responder à pressão do momento pode significar repetir um ciclo de mudanças sem que o clube consiga construir um trabalho de médio e longo prazo. Ao mesmo tempo, manter Marcão definitivamente apenas por causa de uma vitória também seria uma decisão precipitada.

Marcão pode ter ganhado uma oportunidade

Talvez a questão não precise ser imediatamente “Marcão ou um novo treinador”.

A vitória sobre o Palmeiras pode abrir espaço para que o profissional tenha mais alguns jogos antes de uma decisão definitiva. Dessa forma, a diretoria poderia observar não apenas os resultados, mas também o comportamento da equipe, as escolhas táticas e a resposta do elenco.

O próprio Marcão deixou claro após a vitória que está à disposição do clube caso seja necessário permanecer no comando.

A decisão, portanto, passa por uma pergunta maior: o Fluminense está procurando apenas um treinador para apagar o incêndio ou alguém capaz de conduzir um projeto até o fim da temporada e além?

Afinal, Marcão ou um novo treinador?

Os dois caminhos apresentam riscos.

Manter Marcão significa apostar em um profissional que conhece o clube, possui identificação com a torcida e já mostrou capacidade de mudar o ambiente rapidamente.

Buscar um novo treinador significa procurar um profissional com experiência e um projeto capaz de conduzir o Fluminense em um calendário pesado e estabelecer uma identidade para a equipe.

O resultado contra o Palmeiras certamente fortaleceu Marcão. Mas a decisão sobre o futuro do comando técnico do Fluminense não deveria ser tomada apenas por uma partida.

A classificação na Libertadores, o desempenho no Campeonato Brasileiro e, principalmente, a maneira como a equipe responderá aos próximos desafios podem oferecer à diretoria elementos mais concretos para decidir.

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