A era Luis Zubeldía no Fluminense chegou ao fim. Pressionada por um desempenho em curva descendente e sem vitórias há oito jogos, a diretoria tricolor oficializou nesta quinta-feira (13) o desligamento do comandante e de toda a sua comissão técnica. O estopim foi o apático 0 a 0 contra o Independiente Rivadavia, na última terça (11), no Maracanã.

O estopim no Maracanã
O empate com o Independiente Rivadavia expôs novamente problemas que vinham sendo observados nas últimas partidas: dificuldade para criar oportunidades, pouca intensidade e um ataque com dificuldades para transformar posse de bola em chances claras de gol.
A insatisfação da torcida aumentou durante a partida e ganhou força após o apito final. O Fluminense chegou ao confronto de Libertadores sem vencer desde a retomada do calendário após a Copa do Mundo e deixou a classificação para as quartas de final completamente aberta.
A saída de Zubeldía, portanto, acontece em um momento particularmente delicado. O Tricolor ainda precisa decidir sua permanência na principal competição continental da temporada e terá de enfrentar o Independiente Rivadavia novamente no dia 18 de agosto, em Mendoza, na Argentina.
Uma passagem marcada por altos e baixos
Zubeldía foi contratado em setembro de 2025, após a saída de Renato Gaúcho, que deixou o Fluminense depois da eliminação para o Lanús na Copa Sul-Americana. O argentino chegou em um cenário de pressão e rapidamente conseguiu dar estabilidade à equipe.
Um dos principais símbolos do início de seu trabalho foi justamente a força do Fluminense como mandante. Sob o comando do treinador, o clube chegou a 16 vitórias consecutivas como mandante em jogos oficiais, igualando uma marca histórica do clube. A sequência começou justamente na estreia de Zubeldía e contou com vitórias importantes sobre Flamengo, Vasco e Botafogo.
No Campeonato Brasileiro, o desempenho também chamou atenção. O Tricolor chegou a acumular 13 vitórias consecutivas como mandante na competição, uma das maiores sequências da história dos pontos corridos.
Apesar da consistência em boa parte da trajetória, o trabalho não conseguiu ser transformado em títulos.
As decisões que ficaram pelo caminho
A equipe de Zubeldía bateu na trave em competições importantes. No Campeonato Carioca de 2026, o Fluminense chegou à decisão, mas perdeu o título para o Flamengo nos pênaltis.
Na Copa do Brasil, o Tricolor também acabou eliminado nos pênaltis, desta vez diante do Vasco. A eliminação aumentou a pressão sobre o treinador e reforçou a percepção de que o time apresentava dificuldades justamente nos momentos decisivos.
O melhor resultado de Zubeldía à frente do Fluminense foi a quarta colocação no Campeonato Brasileiro de 2025.
A virada após a Copa do Mundo
Se o início do trabalho foi marcado pela força como mandante, o cenário mudou após a paralisação para a Copa do Mundo de 2026.
O Fluminense não conseguiu repetir o desempenho apresentado na primeira parte da temporada e passou a acumular empates e atuações abaixo das expectativas. Antes da demissão, eram oito partidas consecutivas sem vitória, com seis empates e uma derrota no período após a retomada do calendário, além do empate com o Independiente Rivadavia.
A sequência fez o Tricolor perder terreno na disputa pelo topo do Campeonato Brasileiro. Atualmente, a equipe ocupa a quarta colocação e viu a distância para os primeiros colocados aumentar.
O problema, porém, não estava apenas nos resultados. A dificuldade de criação ofensiva e a queda de intensidade também passaram a pesar contra a continuidade do trabalho.
Números de Zubeldía
Ao todo, Zubeldía comandou o Fluminense em 61 partidas, com 30 vitórias, 18 empates e 13 derrotas, aproveitamento de aproximadamente 59%. O treinador deixa o clube sem conquistar títulos.
Retrospecto de Zubeldía no Fluminense
- 61 jogos
- 30 vitórias
- 18 empates
- 13 derrotas
- 59% de aproveitamento
- Nenhum título conquistado
- 4º lugar no Brasileirão de 2025
Marcão assume em momento decisivo
Com a saída de Zubeldía, também deixam o clube os auxiliares Maxi Cuberas, Carlos Gruezo e Alejandro Escobar, além do preparador físico Lucas Vivas. O auxiliar permanente Marcão assume interinamente o comando da equipe.
A mudança acontece justamente às vésperas de dois compromissos importantes. O primeiro será contra o Palmeiras, neste sábado (15), pelo Campeonato Brasileiro, no Maracanã.
Depois, o Tricolor terá pela frente o jogo de volta das oitavas de final da Libertadores contra o Independiente Rivadavia. A partida está marcada para o dia 18, no estádio Malvinas Argentinas, em Mendoza.
A diretoria agora terá de conciliar duas decisões: encontrar um novo treinador para a sequência da temporada e, ao mesmo tempo, dar estabilidade ao elenco para uma partida que pode definir o futuro do Fluminense na Libertadores.
A saída de Zubeldía encerra um ciclo que começou com uma das melhores sequências do clube como mandante, mas terminou marcado pela queda de rendimento, pela ausência de títulos pela sequência de resultados negativos. Enquanto isso, a diretoria busca um novo nome para redefinir os rumos do planejamento tricolor.
