Tribunal popular (por M.Vinicius Tostes)
O futebol dentro das quatro linhas é político por excelência. Aos teóricos que propõem divergências antagônicas entre a administração de futebol e o desempenho de campo, peca e incorre a relapso afirmativos de uma realidade deveras hipocondríaca e claudicante.
Zubeldía, produto da gestão Mário Bittencourt, não só esgotou sua fórmula, mas cruelmente fez assalto do «estado de consciência» do torcedor de assistir ao FFC como querência. Sua demissão — também a do Diretor-Geral — cada vez se torna mais uma palavra de ordem diante do caos que se instala no FFC.
Contratar o decrépito Hulk em vez de demitir Zubeldía revela um sentido político declinante, que é um determinante político, ainda sufocado pelo atual «estado econômico do clube»; destarte, a primazia política em Álvaro Chaves é uma expressão de uma economia concentrada.
Observando a realidade, o discurso de austeridade financeira carece de dever espiritual; ademais, tudo hoje vale uma cifra consideravelmente nababesca. Por outro lado, gastos irrisórios provocam e aprofundam a crise política do clube, enlaçada por grandes empresários e uma administração amadora.
Xerém aparece nesse contexto como o «reflexo completo» do FFC atual, um clube exportador de commodities e importando para dentro de si o que vem de fora com qualidade extremamente inferior do seu próprio material original.
Não há Diretor de Comunicação —por mais “erudito” que seja — que se arvore em tingir o real por meio de documentários ou museus tendenciosos, que, por si só, em jogada paralela e inoportuna, escondem a história monumental e gigantesca do FFC no futebol brasileiro e mundial.
Termino por dizer: há um limite em que a própria tendência se torna um cadáver cru, e o tal limite se esbarra na tradição histórica ainda viva e criadora entre os torcedores do FFC. Em tempos, não haverá nada que impeça que o tribunal popular tricolor atire para fora do clube os seus próprios amigos-inimigos.
O tribunal popular não é a SAF, quaisquer que sejam o caráter, pois é exaustivo e maçante; aspectos jurídicos esvaziados de contingência popular configuram-se meramente como um valor de instância burocrática.
M.Vinícius Tostes
Frente Ampla Tricolor
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