Ponto de inflexão (por Marcelo de Carvalho) – Coluna Wagner Aieta

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Ponto de inflexão (por Marcelo de Carvalho)

Esta Copa apenas confirmou um fenômeno que vem se consolidando há mais de uma década: o poder econômico do futebol europeu passou a dominar a formação de atletas, estabelecendo uma nova ordem no futebol mundial.

Antes que alguém cite Messi e a Argentina como contraponto, vale lembrar: Messi foi formado na Europa. O mesmo vale para inúmeros jogadores de origem africana que hoje defendem seleções europeias. O talento pode nascer em qualquer lugar, mas a formação de excelência migrou.

E o Brasil? O antigo “país do futebol”, celeiro de craques, tornou-se o maior exportador de matéria-prima para o futebol europeu.

A partir da segunda metade dos anos 80, e principalmente nos anos 90, a diferença econômica entre os clubes europeus e brasileiros mudou tudo. Antes, o auge da carreira era ser ídolo de um grande clube brasileiro e vestir a camisa da Seleção. Hoje, o sonho do menino é chegar o mais cedo possível à Europa.

A pelada de rua, a várzea, a criatividade e a molecagem deram lugar às escolinhas, aos centros de treinamento e à profissionalização precoce. Aos 13 ou 14 anos, muitos já são monitorados como investimentos. Aos 16, assinam contratos profissionais. Em diversos casos, antes mesmo de estrearem no futebol brasileiro, já estão na Europa.

O dinheiro falou mais alto. Com tecnologia, estrutura, ciência e profissionais altamente qualificados, a Europa transformou seus centros de formação em verdadeiras fábricas de atletas. O Brasil continuou produzindo talentos, mas deixou de controlar sua formação.

Hoje, nossa Seleção reúne jogadores que, muitas vezes, sequer disputaram uma temporada completa no futebol brasileiro. O Brasil deixou de ser a grande escola do futebol mundial para se tornar fornecedor de talentos que serão moldados conforme os interesses dos clubes europeus.

A pergunta que fica é inevitável: ainda somos o país do futebol ou apenas o maior exportador de talentos? O que precisamos fazer para recuperar nossa identidade e voltar a ser protagonistas também na formação de jogadores?

Vale a reflexão.

Marcelo de Carvalho
Núcleo Político da Frente Ampla Tricolor

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