O futebol é um jogo, é um entretenimento, dizem os intelectuais, mas ele foge desses princípios básicos, ele faz você transcender, faz o mais fraco superar seus limites e vencer seu adversário, faz o torcedor se identificar, faz ele olhar para o lado e chamar de irmão aquele que nunca viu na vida, pelo simples fato de usarem a mesma camisa. O torcedor espera daqueles onze jogadores, nem sempre atletas, uma representatividade, sim, ele quer se sentir representado, quer que o jogador faça o que ele faria se no gramado estivesse, numa forma geral o torcedor não vai ver um espetáculo, o torcedor de futebol faz parte de tudo que evolve esse jogo, ele é parte integrante desta peça na semana do jogo, horas antes do jogo, durante a partida e depois que ela termina, não tem como não se emocionar ao ver um estádio, principalmente em dia de clássico, cheio, lotado, e ver os dois lados da arquibancada, como se em campo estivessem e estão, uma coisa cultural. Sempre foi guerra, mas os intelectuais não entendem e querem romantizar e ao mesmo tempo racionalizar a emoção, Roma e seus gladiadores não existem mais? O Coliseu está em ruínas? Mentira! Todo jogo os guerreiros entram em campo, os estádios viram as arenas, agora mais modernas ainda, e criam um clima de rivalidade onde os adoradores de uma cor querem mostrar que são melhores que os adoradores das outras cores.
Ontem vimos essa guerra acontecer nos moldes desta introdução, cenas de barbárie antes do inicio do jogo e após o fim da partida, e posso garantir aos intelectuais, mesmo aqueles torcedores, que numa forma geral, acham um absurdo esses confrontos medievais em pontos espalhados pela cidade, vibram quando os vídeos começam a pipocar nas redes sociais e os guerreiros que vestem suas cores botam pra correr os “alemão”, os inimigos, que as vezes são amigos, se sentem representados, não que eu ache certo, e sem hiprocresia, não que eu não vibre também apesar de achar errado, pois é, não tem lógica, não é racional, é emoção, é futebol. Dentro Estádio, para felicidade geral ou não, as brigas corporais foram extirpadas e ficaram apenas as brigas de cânticos e de criatividade, as vezes até agressivas com cantos e faixas racistas, homofóbicos e xenófobos, que têm sido combatidos, um dia tiraremos isso dos estádios. Neste clássico, em especial, vimos a superação da torcida do Fluminense, que ousou com o Maior bandeirão da história do Maracanã, 17,6 mil metros quadrados de pano, pano não, de emoção, todos pararam para filmar e fotografar, a torcida do Vasco ficou muda, atônita, estarrecida, boquiaberta, a torcida Tricolor engoliu a do Vasco, quando os vascaínos esboçavam inflamar seu time, a do Fluminense, quase que de imediato subia o tom e mantinha por mais tempo o canto nas alturas, inibindo, literalmente calando a do adversário. Tivemos ainda fogos, fumaça colorida, e muitas bandeiras das organizadas, dezenas, enquanto a torcida do Vasco levou um bandeirão pequeno, numa comparação, a do Fluminense levou uma TV de 70 polegadas e a do Vasco uma de 14 polegadas, além de várias bandeiras da cruz que não é de malta, mas isso é só um detalhe, que ao invés de tremularem essas bandeiras que fazem referência ao seu time, insistiam em tremular com muito mais intensidade uma bandeira branca com a letra C nas cores verde e vermelho, para lembrar a nós Tricolores a passagem pela serie C do brasileiro, achando que isso nos humilharia… gostaria de lembrar, uma ‘numerologia” para os Cruzmaltinos que não usam Cruz de Malta….1998 o Vasco era Campeão da Libertadores e o Fluminense caia para a série C, o Fluminense volta à Elite do Futebol Nacional em 2000 e ai a história começa a ser recontada e já fazem 25 anos, no ano 1, o Vasco se tornou Campeão da Copa João Havelange em 2000 o Brasileirão da época, e também venceu a copa Mercosul, depois voltou a ser campeão nacional, Série B em 2009, da Copa do Brasil 2011, além de 3 Cariocas, 2003, 2015 e 2016, já o Fluminense conquistou a Copa do Brasil em 2007, os Brasileiros de 2010 e 2012, a Copa da Primeira Liga em 2016, a Libertadores de 2023 e a Recopa Sul-americana de 2024, além de 5 cariocas, 2002, 2005, 2012, 22022 e 2023 e nesses 25 anos pós serie C, o Fluminense jamais caiu e o Vasco ficou 5 anos na série B, sendo 4 rebaixamentos além da humilhação de ficar 2 anos consecutivos na segunda divisão. É vascaínos, a Série C foi um aprendizado para nós, obrigado por nos lembrar dela, já vocês, continuam a não aprender nada.
Após essa aspas para a numerologia, voltemos ao Clássico vencido pelo Fluminense, que chegou em 5º no Brasileirão e já com a vaga garantida para a fase de Grupos da Libertadores 26, com um gol contra do lateral da seleção brasileira, acho até que isso reflete um pouco o momento do futebol brasileiro, pois o Fluminense de 2025, que chega numa posição honrosa do Brasileiro, foi Vice Campeão Carioca, 4º lugar na Copa do Mundo de Clubes, semifinalista da Sudamericana e da Copa do Brasil, fez tudo isso sem ter um centroavante goleador, é… Futebol é detalhe, e esse foi o grande detalhe, ´notório que não temos bons chutadores e nem o chamado “homem gol”, isso pesou na temporada, já o Vasco, mostrou muita vontade, superou suas limitações e o Fluminense esbarrou nas suas.
Sou torcedor apaixonado, fanático, mas sou um desportista e por isso parabenizo o Vasco pela classificação, no mais, Vai Curinthia!
