A Celso o que é de Celso (por André Ferreira de Barros)

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Em primeiro lugar, não escrevo este breve artigo a pedido do Dr. Celso Barros – a quem sequer conheço pessoalmente –, tampouco de algum de seus (muitos) apoiadores.

Em segundo lugar – e nessa mesma linha, de não politização -, não se trata, aqui, de lançamento precoce de sua candidatura à Presidência do Fluminense – até porque eu sou entusiasta de outra candidatura, a de MJ, que não é Marco Júnior. Ou seja, não quero falar de política, mas somente de futebol.

Colegas, é isto aí: escrevo instado, apenas, pela minha consciência tricolor. Afinal de contas, a minha mãe me ensinou que ingratidão é um sentimento abjeto.

Celso Barros – o “Dotô” – tem poucos, mas barulhentos, detratores. Dizem eles, os ingratos, aos berros, entre outros argumentos encharcados de inveja, que:

(a) Celso Barros teria se locupletado com a parceria celebrada entre o Fluminense e a Unimed;

(b) em vista do volume de dinheiro investido no Fluminense, os resultados em campo foram pífios.

Como eu não sou investigador de polícia, nem auditor da Unimed, atenho-me, aqui, ao segundo argumento desditoso: na época do “Dotô”, poderíamos ter ganho mais.

Verdade? Não sei!

Ninguém sabe.

Mas o contraste com o tenebroso presente é desconcertantemente eloquente. Afinal, em tempos malditos de Flusócio, poderíamos ter perdido menos.

A escolha entre “poderíamos ter ganhado mais” e “poderíamos ter perdido menos” é questão de gosto de cada um, tal qual camarão e dobradinha.

Prosseguindo no campo esportivo, o Dr. Celso Barros pode ser acusado de muitas coisas, mas de duas, não: (a) ele tem amor ao Tricolor, eis que deu suporte financeiro a um clube então na terceira divisão; (b) ele não é medíocre, diferentemente dos próceres da Flusócio.

Quanto a este último aspecto – o da detestável e letal mediocridade -, aposto que, nos áureos tempos da Unimed, mesmo o mais ignóbil e leviano membro da Flusócio devia percorrer, ansiosamente, os sites em busca de notícias de Contratações, com “C” maiúsculo. Se não obrava assim, não era tricolor. Como eram divertidos os meses de janeiro e os da janela para contratações do exterior! João Carlos e Romarinho eram incogitáveis. Diferentemente, vinha gente boa por aí…

Encaminhando-me para o fim, lembro-me de uma conversa travada na arquibancada do Maracanã no dia do jogo do Fluminense contra o Liverpool – URU pela Copa Sul-Americana de 2017. Papo vai, papo vem, fomos, os partícipes da prosa, exortados a arrolar os cinco melhores jogadores que vimos com a camisa Tricolor.

Lembro-me de dois detalhes essenciais dessa conversa. Primeiro: propus equiparar aos “melhores” os jogadores “mais decisivos”. Pensei, claro, no Carrasco. Segundo: após muitos esforços, não conseguia listar os cinco jogadores “mais decisivos/melhores”. Somente consegui listar seis jogadores para o Olimpo Tricolor. Afinal, retirar qualquer um deles seria um “crime de lesa Fluminense”. Listei-os, então, por ordem cronológica: (a) Rivelino (1975); (b) Assis (1983); (c) Romerito (1984); (d) Conca (2008); (e) Fred (2009); (f) Deco (2010).

Trocando em miúdos, metade dos titãs tricolores me foram ofertados pelo Dr. Celso Barros.

Gente, cada qual com a sua preferência política, mas é forçoso dar a Celso o que é de Celso.

Não sejamos ingratos!

Saudações tricolores!

André Ferreira de Barros tem 50 anos, acompanha o Fluminense em estádios desde a final da Taça Guanabara de 1975 e acha que a Flusócio tem que deixar o Tricolor e tentar a sorte no Boavista.

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