SAF do Fluminense projeta aporte bilionário e detalha proposta de gestão

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O Fluminense apresentou na noite desta segunda-feira ao Conselho Deliberativo do clube a proposta que recebeu da Lazuli Partners e LZ Sports para compra da futura Sociedade Anônima do Futebol (SAF) tricolor.

Atualmente, a companhia propõe comprar 65% da SAF do Fluminense. Entre os principais dados, o investimento inicial será de R$ 500 milhões nos dois primeiros anos, além da assunção completa da dívida de R$ 871 milhões.

Está estipulada no contrato a necessidade de investimento de R$ 6,4 bilhões ao longo de um período de 10 anos.

Como será a SAF do Fluminense?

O modelo contará com 40 investidores milionários, apaixonados pelo Fluminense, adquirindo participações na empresa que irá administrar o futebol. Os cotistas foram reunidos pela Lazuli Partners, uma gestora de investimentos, cuja subsidiária LZ Sports é responsável pela proposta. Inicialmente, a gestora planejava a participação de 15 torcedores, mas nas últimas semanas recebeu o interesse de mais tricolores no projeto.

Em caso de aprovação pelos conselheiros e sócios, a empresa se tornará acionista majoritária da Fluminense SAF, enquanto a associação manterá a participação minoritária. A divisão será determinada pelo montante da dívida no momento da aquisição. Com a dívida atual de R$ 871 milhões, o fundo teria 65% e o associativo, 35%.

A SAF ficará responsável pelo futebol masculino, feminino, categorias de base e futsal. Nesta estrutura, Xerém estará sob administração da empresa. A sede em Laranjeiras e outros imóveis permanecerão sob controle da associação, com um acordo previsto para o uso dessas instalações.

A dívida total do Fluminense será assumida pela empresa, enquanto a associação receberá royalties pelo investimento — estimados inicialmente em cerca de R$ 12 milhões por ano. Esse modelo se diferencia de outras SAFs brasileiras, como as do Cruzeiro e Botafogo, onde um empresário assumiu o controle e a gestão do clube.

Quem são os compradores e como será a gestão?

Nomes já divulgados na mídia fazem parte do grupo de 40 empresários, como o controlador do BTG Pactual, André Esteves; o diretor-geral da Frescatto, Thiago De Luca; o cofundador do Absoluto Partners, José Zitelmann; entre outros. Porém, não há um investidor majoritário com poder decisório para a votação. A LZ Sports revelou os nomes de 13 investidores:

  • Família Almeida Braga — ligada a seguradoras (Atlântica, Bradesco Seguros)
  • Família Klabin — vinculada a empresas de papel e celulose
  • Família De Luca — associada à Frescatto, no ramo de frutos do mar
  • Família Zitelmann — membro do comitê executivo do BTG Pactual
  • Família Esteves — membro do comitê executivo do BTG Pactual
  • Família Dantas — envolvida na gestão de fundos
  • Família Paes — membro do comitê executivo do BTG Pactual
  • Ricardo Tadeu — ligado à Ambev, empresa do setor de bebidas
  • Membros da família Monteiro Aranha — ligada ao Grupo Monteiro Aranha
  • Grupo Apex Partners — empresa de investimentos do Espírito Santo
  • Heráclito de Brito Gomes Junior — associado à Rede D’Or, no ramo hospitalar
  • Família Hallack — ligada à construtora Camargo Corrêa
  • Bruno Werneck — advogado

Qual é o valor do Fluminense e como será realizado o investimento no futebol?

A estimativa do valor total do investimento é de R$ 6,9 bilhões, a ser realizado em um prazo de até 10 anos. Quanto aos aportes obrigatórios, eles estão distribuídos da seguinte maneira: R$ 250 milhões no momento da assinatura da SAF e mais R$ 250 milhões até 24 meses após o fechamento do acordo.

Além dos aportes obrigatórios, o investimento estimado de R$ 6,4 bilhões está distribuído da seguinte forma ao longo de 10 anos:

  • Folha salarial (elenco e comissão técnica) — R$ 4,7 bilhões
  • Aquisição de atletas — R$ 1,1 bilhão
  • Desenvolvimento e formação de jogadores — R$ 359 milhões
  • Melhoria do CT e de Xerém — R$ 84 milhões
  • Royalties para a Associação — R$ 143 milhões

O plano do fundo é elevar a folha salarial do futebol tricolor em 30% já em 2026, passando dos atuais R$ 19 milhões para cerca de R$ 25 milhões mensais. A gestora utilizou como referência modelos de clubes da Premier League para criar um formato adaptado ao futebol brasileiro.

Quando será realizada a votação?

Os investidores afirmam não ter pressa para finalizar o processo. A votação entre os sócios acontecerá apenas após a eleição presidencial do clube, prevista para o período entre a segunda quinzena de novembro e a primeira quinzena de dezembro deste ano.

No entanto, a SAF só se concretizará se o quadro de sócios aprovar a proposta. A expectativa é que todo o processo seja concluído, em caso de aprovação, entre dezembro e fevereiro.

De acordo com Carlos de Barros, a meta é colocar o Fluminense entre os três maiores clubes do país, com cinco pilares fundamentais: investimento em Xerém, folha salarial, contratação de atletas, aprimoramento na análise de dados e sustentabilidade financeira a longo prazo. A estrutura do investimento inclui:

  • Receitas geradas pela associação para a SAF
  • Aportes diretos dos investidores
  • Captação de subvenções
  • Investimentos em ativos (como CT e Xerém)
  • Melhoria na análise de dados
  • Pagamentos de dívidas
  • Pagamentos a terceiros

Os investidores condicionam a aquisição à renegociação com os credores. Assim, a gestão começaria com as dívidas organizadas, tendo clareza sobre o valor destinado mensalmente à quitação.


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