“VAMOS TRICOLORES, CHEGOU A HORA DE ENFRENTAR TODAS AS NOSSAS DORES (parte 2)”- Coluna opinião André Ferreira de Barros

Coluna Destaques

“VAMOS TRICOLORES, CHEGOU A HORA DE ENFRENTAR TODAS AS NOSSAS DORES (2)”

ANDRÉ FERREIRA DE BARROS

Penso que, fora de suas hostes de meia-dúzia de puxa-sacos, o Sr. Mário Bittencourt é, hoje, um homem sem nenhuma credibilidade.

Vale dizer, o torcedor tricolor – quer componha, quer não, o reduzido colégio eleitoral – não confia em uma única palavra do que diz, tampouco em qualquer ato ou negócio jurídico em que o Sr. Mário Bittencourt intervenha na condição de Presidente do Fluminense F.C.

Há pouco, comparei o Fluminense a uma nau sem rumo. Dada a “quantidade de movimento” em tela, melhor seria dizer que o nosso amado tricolor é um TGV desgovernado, bem pior do que sucedera em “A Travessia de Cassandra” (1976).

Tal qual em 2019, a renúncia do atual Presidente do Fluminense F.C – e a de seu vice – é a única hipótese de união de um clube rachado e à beira do precipício.

Há que haver a convocação imediata de novas eleições.

Tanto melhor se for formada uma chapa de consenso, sem nenhum nome “… daqueles de sempre…”. É dizer, precisa-se de “sangue novo”.

E, agora, adentro ponto fundamental de meu raciocínio.

Num clube sério, inserto num país meritório, seria uma platitude pregar-se a aversão a mentiras e a promessas mirabolantes – daquelas que, diga-se de passagem, rechearam a primeira campanha do Sr. Mário Bittencourt à presidência do Fluminense F.C. Ah, se a lenda do Pinóquio fosse verdadeira – ou, pelo menos, a do médico interpretado por Leslie Nielsen em “Apertem os cintos… o piloto sumiu” (1980).

No entanto, em se tratando de Fluminense F.C – e de Brasil –, é de bom tom que o hipotético candidato a Presidente torne público o seu inarredável compromisso com a verdade.

Mas não basta, ao suposto candidato a Presidente do Fluminense F.C, ser honesto.

Não lhe basta, sequer, ser e parecer honesto, como a mulher de César.

Urge que se arrostem problemas e questões intocadas ou mal resolvidas, que, mais dia, menos dia, emergirão e, consequentemente, arrastarão o Fluminense F.C para um black hole.

É, amigos, hoje o Fluminense vende o almoço para comprar o jantar.

Isso é insustentável a médio e longo prazos!

Isso, também, não é obra de um homem – ou de uma gestão – só.

Sendo bem mais incisivo, para ser tachado de sério e comprometido com o futuro sustentável do Fluminense F.C, um programa de gestão, provenha de onde provier, deve arrostar, pelo menos, os seguintes pontos:

a-) de início, contratar um serviço de auditoria, respeitado e independente, do montante da dívida do Fluminense F.C, trazido, claro, a valor presente;

b-) com base no produto dessa auditoria, apresentar a pormenorização dos componentes dessa dívida;

c-) na esteira, quantificar o custo financeiro de cada um dos componentes dessa dívida;

d-) atribuir a fração da dívida a cada uma das gestões que passaram pelo Fluminense F.C;

e-) singularizar o quantum da dívida foi amortizada por qual gestão, se é que isso ocorreu;

f-) declarar quanto foi arrecadado nos últimos anos, em especial no de 2023, quando, supostamente, a premiação foi recorde;

g-) explicitar se houve – e por quais motivos se deu isso – a antecipação de receitas de televisão;

h-) rever todos os atos e negócios jurídicos ainda não fulminados pela decadência ou prescrição;

i-) reduzir, ao mínimo possível, a incidência de cláusulas de confidencialidade, de sorte que a disponibilidade de informações passe a se constituir a regra no Fluminense F.C;

j-) divulgar as rubricas – não os valores, deixe-se assentado – componentes de todos os atos e negócios jurídicos em que o Fluminense F.C seja parte ou figure, direta ou indiretamente, como interessado;

k-) celebrar avença com renomado escritório de inteligência estrangeiro, a fim de apurar possível enriquecimento sem causa de todos aqueles que intervieram em eventuais atos ou negócios jurídicos lesivos ao Fluminense F.C;

l-) ajuizar ações cíveis contra todos aqueles que intervieram em eventuais atos ou negócios jurídicos lesivos ao Fluminense F.C, aí incluídos clubes de futebol no exterior, empresários, dirigentes e, até mesmo, árbitros. Note que, nessa categoria, incluir-se-iam os erros graves ou evitáveis aos olhos do homem-médio;

m-) noticiar ao Ministério Público a ocorrência de possíveis ilícitos penais, com a devida individualização de condutas das pessoas físicas, inclusive estrangeiros;

n-) obedecido o devido processo legal, instar o Banco Central do Brasil a informar a movimentação – a entrada e a saída – de divisas estrangeiras envolvendo o Fluminense F.C. À evidência, tais dados serão cotejados com as avenças celebradas com o estrangeiro;

o-) obedecido o devido processo legal, solicitar ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras – COAF – a emissão de “Relatório de Inteligência Financeira” – RIF – para movimentações financeiras atípicas de pessoas e entidades que se relacionaram com o Fluminense F.C;

p-) num primeiro momento, adequar o valor da folha do Departamento de Futebol ao total arrecadado pelo “Programa Sócio-Torcedor”. Por outras palavras, a torcida do Fluminense, supostamente concorde com os novos rumos do clube, ditará a qualidade do time;

q-) privilegiar, nas categorias de base, a ascensão de jogadores que pertençam maior ou totalmente ao Fluminense F.C;

q-) aplicar todas as receitas do clube – à exceção da proveniente do predito “Programa Sócio-Torcedor” – para a quitação de dívidas;

r-) envidar esforços para instituir a votação on-line;

s-) instituir a sub-rogação de dívidas na venda de atletas. Por outras palavras, dado clube, ao adquirir um jogador, em vez de pagar “x” ao Fluminense F.C, compraria “x+y” em passivos tricolores. Refiro-me a pagamento de dívidas “na veia”;

t-) explicitar os dados do scout utilizado para a avaliação de jogadores;

u-) instituir fundamentos indispensáveis de futebol nas categorias de base do clube. É forçoso convir que, hoje, os jogadores do Fluminense – provenham, ou não, de Xerém – não sabem cruzar nem chutar –, à exceção do Marcelo.

Isso é o mínimo dos mínimos, meus amigos!

Fora disso, é mais do mesmo! Ou seja, há o fundamentado risco de surgir uma Flusócio 2.0 ou um Mário 2.0.

Respeitosas saudações tricolores.


[1] André Ferreira de Barros completará 57 anos em 09 de setembro de 2024. Tricolor apaixonado, esteve presente em conquistas memoráveis em 1975, 1976, 1980, 1983, 1984 (2 vezes), 1985 e 1995. Amargou, também, derrotas, como a para o ABC (1998) e para o Serra (1999). Embora fosse grato, entendia que a Unimed não devolvera ao Fluminense a aura vencedora do passado, mormente em clássicos regionais. Não tem pretensão política alguma, até porque é sócio torcedor. Sonha com o dia em que grandes tricolores (re)aparecerão e (re)assumirão o Fluminense, pondo fim a uma era de trevas, na qual sentaram praça aventureiros, incompetentes e, pior, uma conjugação dos dois.

O texto é de total responsabilidade do autor.

Sobre o autor