“VAMOS TRICOLORES, CHEGOU A HORA DE ENFRENTAR TODAS AS NOSSAS DORES (1)”
ANDRÉ FERREIRA DE BARROS
“Creio em Deus Pai Todo-Poderoso…”, Aquele que tem como uns de Seus atributos essenciais os valores da justiça e da misericórdia, eis que carrega Consigo o signo do Divino.
Muito diferentes Dele são os deuses do futebol. Por regerem o profano, são ariscos e inclementes – muita vez, cruéis. Por exemplo, após uma semifinal épica, eles moldaram uma confluência de fatores que subtraíram do Fluminense F.C a merecidíssima Copa Libertadores de 2008 – a interrupção, por cerca de duas semanas, do torneio continental para disputa das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010, a escalação de um árbitro que “… deixava o jogo seguir…” na altitude de Quito em contraposição a outro que “… amarrava tudo…” no Maracanã, uma atuação de gala de um notório “frangueiro” equatoriano, etc.
Noutro exemplo, quinze anos depois, os mesmos deuses do futebol interferiram no resultado da Copa Libertadores, desta feita a nosso favor. As competentes mãos do goleiro Fábio – o melhor arqueiro desde Paulo Vítor (1981-1988) – operaram milagres, em especial, nos primeiros tempos das partidas contra o Argentino Jrs, na Argentina, e contra o Olímpia, no Paraguai. O grande Jhon Árias parecia um robô com bateria eveready interminável. O André nos fez lembrar o Jandir (1982-1989). O JK e o Cano tiveram iluminações decisivas em jogos cruciais. Enner Valência fez-se outro instrumento eficaz do duvidoso humor dos deuses do futebol. Em 04 de novembro de 2023, faltando um mísero minuto para o fim do tempo regulamentar, o chute do meio-campista Merentiel, do Boca, triscou a trave esquerda do Fábio. O lamentado passe do Lima para o Diogo Barbosa poderia nem ter acontecido, esquecem alguns. Mas, traquinagens do Wilmar Roldán à parte, os deuses do futebol já haviam decidido a sorte da competição pelos pés de um talentoso – e polêmico – “… moleque de Xerém…”.
Quando Wilmar Roldán trilou o apito final, como incorrigível e eterno amante do Fluminense F.C, explodi em alegria, como se o portal aberto em 02 de julho de 2008, enfim, tivesse se fechado. Mas, numa fração de segundo depois disso, uma questão invadiu, preocupantemente, o meu espírito tricolor, até então extático: “Tinha que ser com o Mário?”.
Temi, fundamentadamente, uma gigantesca travessura dos deuses do futebol, maior que a de 2008, tal seja, o Fluminense tornar-se-ia campeão da Libertadores sob a gestão de um farsante. A imagem que cultivava do Sr. Mário Bittencourt era a de quem se homiziava no estacionamento do Maracanã, em março de 2022, enquanto o Botafogo vencia por 2 x 0, placar que desclassificava o Fluminense. No último lance do jogo, Cano marcou o gol salvador. Mas o Presidente não assistiu ao lance que culminou com o título estadual. Aliás, isso consta do livro editado com pompa e circunstância, Sr. Presidente?
Repito, grafando em caixa-alta: COVARDE!!!!!!
Recuemos, agora, no tempo, para o primeiro semestre de 2019. Pressionado por todos os lados, o inepto Presidente Pedro Abad, visando a estancar um incipiente processo de impeachment, aceitou o encurtamento de seu mandato. Não se deve esquecer que se avizinhava o temível rebaixamento para a Série B. O Sr. Mário Bittencourt, aproveitando-se da tibieza da gestão da Flusócio (toc toc toc), concorreu à presidência e foi regular e legitimamente eleito – com a legitimidade restrita que o pouco representativo colégio eleitoral confere aos mandatários dos clubes de futebol.
Pois bem, a situação fática que ora se apresenta é a mesma, se não for pior!
Com o aguçado senso de oportunidade que lhe é marca registrada, o Sr. Mário Bittencourt se entoca nos momentos mais difíceis do clube – algo como todo o ano até aqui.
Tirante os puxa-sacos de sempre, ninguém mais crê no Sr. Mário Bittencourt. Percebam que somei os que nunca creram – como eu – com os que um dia deram fé à sua gestão.
Desgraçadamente, o Fluminense, hoje, é uma nau desgovernada, rumando, inexoravelmente, para o precipício.
Quem vai ao Maracanã, com frequência, sabe que, mais dia, menos dia, algo grave vai acontecer – uma espécie de “Ricardo Pinto 2.0”.
Só há uma solução racional, a saber a IMEDIATA RENÚNCIA DO PRESIDENTE E DO VICE, seguida da convocação de novas eleições.
Torcendo para que o passado não se repita como farsa, pode ser o antídoto para a catástrofe, tal qual em 2019.
Saudações tricolores.
[1] André Ferreira de Barros completará 57 anos em 09 de setembro de 2024. Tricolor apaixonado, esteve presente em conquistas memoráveis em 1975, 1976, 1980, 1983, 1984 (2 vezes), 1985 e 1995. Amargou, também, derrotas, como a para o ABC (1998) e para o Serra (1999). Embora fosse grato, entendia que a Unimed não devolvera ao Fluminense a aura vencedora do passado, mormente em clássicos regionais. Não tem pretensão política alguma, até porque é sócio torcedor. Sonha com o dia em que grandes tricolores (re)aparecerão e (re)assumirão o Fluminense, pondo fim a uma era de trevas, na qual sentaram praça aventureiros, incompetentes e, pior, uma conjugação dos dois.
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