Luiz Felipe Ferreira da Silva, de 44 anos, pai de Gabriel Felipe dos Santos Ferreira, de 15 anos, atleta de natação do Fluminense, acusa um segurança do Tricolor de racismo, segundo informações do jornal Extra. O atleta, que está no clube desde 2019, não sabe se continuará treinando nas Laranjeiras, por medo.
O caso em questão aconteceu na última quinta-feira (20), dentro da sede do Fluminense. Após treinar na piscina das Laranjeiras pela manhã, o atleta pediu aos pais para continuar no clube, com seus amigos, ao invés de ir para a praia com a família.
Após lancharem, Gabriel e seus colegas, que estavam acompanhados de alguns adultos, voltaram para a piscina. Como a catraca para a identificação com impressão digital não estava funcionando, os sócios podiam seguir por uma roleta ao lado, que estava liberada.
Segundo Felipe e Gabriel, o segurança, que não teve o nome divulgado, abordou o jovem atleta três vezes, pedindo que mostrasse a carteirinha de sócio. Ele estava acompanhado de outras crianças, que seguiram pela roleta sem serem questionadas pelos seguranças.
Gabriel explicou que usava a digital para passar pela catraca e que não tinha em mãos a carteirinha. Na terceira vez em que só ele foi abordado, o nadador questionou o motivo pelo qual somente ele teria de mostrar o documento, e ouviu um “abaixa a bola aí” do segurança do clube, que era branco.
“As pessoas me olham de cima a baixo. Infelizmente eu finjo que não vejo, que é normal. Porque acontece com bastante frequência esse tipo de postura, inclusive no clube. Mas, desta vez foi muito grave, na frente de todos. Me senti constrangido” conta Gabriel.
Ao deixarem a piscina e irem para as quadras de futsal, o mesmo segurança abordou os jovens, e pediu para que eles abrissem as mãos. Depois disso, Gabriel foi para o banheiro chorar e ligou para o pai. Felipe contou que o segurança justificou a abordagem porque achava que eles “estavam fumando maconha”.
“Agora estou muito melhor, mas na hora foi meio difícil. Fiquei chateado porque ele me abordou na frente de todo mundo. Fiquei mal, chorei. Tive raiva, quis ir para casa. Meus amigos e meu irmão, que são mais claros que eu e não foram abordados, me apoiaram. Me acalmaram. Eram mais de 20 crianças“, conta Gabriel.
Assim que saíram do clube, Gabriel e a família foram até a 9ª Delegacia de Polícia, no Catete, para registrar queixa contra o funcionário, por racismo.
Em uma nota oficial, o Fluminense informou que abriu procedimento interno para apurar os fatos administrativamente e tomar as medidas necessárias “mesmo após a autoridade policial, procurada pela família do adolescente, ter entendido não ter havido qualquer conduta do colaborador que pudesse caracterizar ilícito penal. Ainda assim, tudo será apurado”.
O clube informou que “o colaborador já foi afastado de suas atividades e assim permanecerá enquanto durar a apuração por parte do clube”. Como faz parte da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), o funcionário não pode ser demitido.
Fonte: Jornal “O Dia”
Foto: Divulgação
