Opinião: “Dizem que Roque Santeiro… um homem debaixo de um Santo…

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Foto: Reprodução/Vídeo

Na memorável obra de Dias Gomes, Asa Branca vivia em torno do mito de Roque Santeiro, um homem que, em vida, supostamente reunira virtudes heroicas – a ponto de enfrentar uma quadrilha de maus elementos que aterrorizava a pequena cidade. O cruento combate a Navalhada e a seus comparsas lhe custara a vida, mas lhe garantiu um lugar na História. Os crentes do local, ávidos por conforto e esperança, devotavam-lhe grande reverência. Destoando, o padre, cioso dos indispensáveis requisitos para o conseguimento da beatificação e, em seguida, da canonização, não gostava nadinha daquelas manifestações profanas. Um dia qualquer, Roque Santeiro reapareceu na cidade, vivinho da Silva. Não havia ele morrido, muito menos era um santo. Neste particular, coberto de razão estava o padre de Asa Branca.

Atualmente, o Fluminense tem um Roque Santeiro, que guarda semelhanças e diferenças com o de Asa Branca.

Evidentemente, a primeira semelhança está na vida que anima os seus corpos. Tanto o Roque Santeiro de Asa Branca quanto o das Laranjeiras estão – e são – muito vivos.

A segunda semelhança decorre da primeira: nem um nem outro são santos, embora deles, muitos esperem milagres em profusão.

A terceira semelhança decorre das duas primeiras: frustrar-se-ão os que esperam por milagres dos falsos santos. Isso por imperativo lógico e categórico.

A partir daqui, adentro as diferenças entre o Roque Santeiro de Asa Branca e o das Laranjeiras.

Começando, o mito do Roque Santeiro de Asa Branca foi forjado à revelia deste, que, inclusive, repudiava a ideia malsã – gerada na mente de aproveitadores que visavam ao lucro fácil. Por outro lado, o mito do Roque Santeiro das Laranjeiras foi construído com a anuência dele, que adora uma aclamação acrítica, como se aclamação crítica pudesse haver.

Por fim, o Roque Santeiro de Asa Branca tem, apenas, uma Viúva Porcina; o das Laranjeiras, várias, que, além de encherem o saco, não enxergam um palmo à frente do nariz.

Mais dia, menos dia, todos daremos razão ao padre.

Pobre Fluminense!

Saudações tricolores!

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